Tuesday, April 29, 2008

RAFAELA - O SIGNIFICADO CUBANO DA PALAVRA MILAGRE!

O significado cubano da palavra milagre.
Mal abre a porta e o mundo gira num barril de esponja, anos de vida para o ver cair ao canto da sala. Pediu dinheiro em latas. Nas lojas. Deu o que tinha. Fez-se luz e não há-de parar. “Vocês viram.”

Os olhos de mãe brilham mas o médico pede calma. Sorri. Rafaela não é um peso morto, o corpo mole que nem sustinha a cabeça. “Há-de ser independente”. E vale por tudo. Da luz do dia à comida que Tânia quase não vê. “Abdiquei. Como restos de pão, cá me arranjo. Mas olhem que ela não fazia isto”, a filha de três anos que já se agarra e levanta. “Talvez no fim se equilibre. Que orgulho.” Um ano depois de Cuba e 30 mil euros em esperança. Partiram de São João da Madeira “sem diagnóstico mas com suspeitas de tudo”. Doença metabólica ou muscular. Nada. Foi bebé apático e bolsava de jacto. Não retinha comida e só perdia peso. “Pequeno atraso”, diziam no Porto. Rafaela tem lesão estática no sistema nervoso central e aposta tudo no país da neurociência.
A primeira fase de tratamento em Cuba foi de tal forma positiva que permitiu - logo na primeira semana - estabelecer um diagnóstico da doença e fazer com que a menina regressasse a Portugal com alguns sinais de melhoria bastante significativos.
O programa de Neurodegenerações consiste numa estratégia terapêutica que combina métodos farmacológicos, cirúrgicos e de neuro-reabilitação, que, com base nas propriedades de recuperação do Sistema Nervoso, permite compensar as alterações existentes e estimular a restauração estrutural e funcional da actividade nervosa danificada, quer em doentes afectados por sequelas de lesões agudas, quer pelos portadores de doenças crónicas do Sistema Nervoso, sendo as mais frequentes:

Transtornos do Movimento e NeurodegeneraçõesDoenças Neuromusculares e Escleroses MúltiplasLesões RaquimedularesLesões Estáticas EncefálicasNeurologia Infantil

Divulgado em : forum.autohoje.com

Testemunho de Tânia, mãe da Rafaela no Regional on line

Testemunho Tânia Cordeiro - mãe da Rafaela O meu nome é Tânia Cordeiro, tenho 34 anos, vivo na cidade de São João da Madeira e sou mãe da doce e simpática Rafaela, de 4 anos de idade.A minha filha sofre de uma Lesão Estática a Nível do Sistema Nervoso Central, onde se observa um atraso do desenvolvimento psicomotor em todas as esferas, tanto na área da motricidade fina, motricidade grossa, como linguagem e locomoção.Verifica-se também alterações de conduta, devido à hiperactividade e ao défice de atenção.Resumindo, a Rafaela não caminha, não fala e as suas brincadeiras são muito limitadas.Em Julho de 2006, surgiu a esperança de melhorar a qualidade de vida da minha filha, na Clínica CIREN, em Cuba, onde foi descoberto o seu actual diagnóstico.Regressei novamente a Cuba, com a Rafaela, em Maio (3 ciclos) e Outubro (2 ciclos) de 2007.Voltarei a Cuba, sempre que se proporcione essa oportunidade, uma vez que a continuação destes tratamentos depende unicamente da solidariedade de todos os portugueses, pois eu não reúno condições financeiras para estes tratamentos intensivos.Deposito muita confiança no CIREN, pois aqueles médicos e terapeutas cubanos fizeram nascer dentro de mim uma nova esperança, ao dizerem- -me que a Rafaela tem todas as hipóteses de se tornar uma menina autónoma.Dou o meu testemunho em como a minha filha melhorou imenso ao ser submetida a um tratamento neuro-restaurativo multifactorial intensivo – ciclos de 28 dias contínuos – 7 horas diárias, de segunda a sexta-feira, e aos sábados, 3½ horas, durante a manhã.Acrescento que não é fácil ausentar-me por um determinado período de tempo, ficando longe do meu país, da família, do trabalho e dos amigos, mas... em prol dos filhos todos estes sacrifícios são poucos.Ficarei eternamente grata àquela equipa fantástica de médicos, terapeutas e enfermeiras, que sempre trataram a minha filha com muito amor, carinho, paciência e muito profissionalismo.Para comigo, há e haverá sempre uma palavra amiga, um conforto numa hora menos boa, uma amizade para sempre, um carinho, que fazem com que não me sinta a km’s de distância da minha família.São simplesmente pessoas maravilhosas!!!CIREN – um mundo que eu desconhecia.E porquê?Porque no CIREN descobri que não sou a única mãe a lutar por uma melhor qualidade de vida para a minha filha. Lá existem muitas mães como eu. Não me considero uma SUPER-MÃE, mas, sim, uma mãe especial, como todas as que passam por esta clínica.ESPECIAL?Sim! Porque somos mães de crianças especiais, maravilhosas, lutadoras e isso dá-nos o estatuto de mãe e pai especiais.Confesso-vos que, com o nascimento da minha filha, toda a minha vida mudou, vivo em função do seu bem-estar. Abdiquei de muita coisa na minha vida pessoal e profissional e não me arrependo de nada, pelo contrário, passava por tudo novamente, se necessário.Sou uma mãe feliz!O encanto pela minha filha fez-me crescer, coisas que me passavam ao lado agora não passam despercebidas, a determinados assuntos e situações dava demasiada importância, agora... são banais.
No lugar das lágrimas e dos porquês constantes, ofereço agora à minha filha, sorrisos , beijos e abraços.Ofereço simplesmente amor!Para finalizar, queria deixar claro que, quando algumas pessoas dizem ou pensam que a Rafaela é para mim uma cruz... enganam-se.Considero que foi uma missão que m foi entregue.E se Deus me destinou esta missão, é porque achou que eu, como mãe, era capaz. Capaz de cuidar da minha filha, capaz de transformar a história de esperança da Rafaela numa simples história de encantar.Um especial obrigado, ao Infantário Santa Filomena.
Como ajudar?
Caixa Geral de Depósitos:
NIB: 003507350005352890063
IBAN: PT50003507350005352890063
BIC: CGDIPTPL

Tânia Cordeiro

Estou ao dispor para qualquer esclarecimento: 912433738

e-mail pessoal: taniaraq@gmail.com


Dep. Técnico de Qualidade_ Laboratório
Sinflex - Ind. Molas Técnicas, Lda
Telf. 256 880 370
Fax 256 880 379
E-mail: tania.cordeiro@sinflex.pt

Monday, April 14, 2008

Solidariedade para com a Rafaela

Estimados amigos e leitores de A VOZ DO POVO, o apelo que aqui transcrevo é mais uma das muitas situações que se nos deparam e que nos tocam. Neste caso concreto que me chegou, em especial a dedicação desta mãe, que tudo tem feito para ajudar a sua filhinha a Rafaela. Tem a particularidade de ser um caso que tenho seguido desde o inicio, porque tem sido divulgado na empresa aonde trabalho. Desta vez, pensei em alargar a ajuda, colocando esta informação, aqui no nosso blogue e com a certeza de que chegará mais longe com a ajuda de todos vós, leitores e bloggers, ajudem conforme puderem e divulguem, aumentando assim as probabilidades de êxito da Rafaela e da sua mãe!
Victor Simões
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Faz agora 2 anos em Julho que iniciei a campanha da Rafaela, para poder oferecer à minha filha uma melhor qualidade de vida. A minha luta em continuar a ajudar a minha filha , está longe de terminar e para isso necessito a ajuda de todos os amigos, para poder divulgar de forma a que todos juntos possamos ajudá-la. Mais do que nunca, eu e a Rafaela precisamos de todo o vosso apoio e amizade, pois eu encontro-me a viver sozinha com a minha princesa. Ela é um amor, um doce de criança ,é a razão do meu viver e da minha luta. O sorriso lindo da minha filha dá-me forças para levar o meu dia a dia. Peço a vossa AJUDA, no sentido de divulgar o caso da Rafaela, pois ao unirem-se a mim irão ajudar-me a transformar a história da Rafaela numa simples história de encantar. Acrescento apenas, que a Rafaela , sofre de uma lesão estática a nível do sistema nervoso central que lhe afectou a parte psicomotora. As fotos anexadas, demonstram todo o esforço e vontade e vencer! Por favor ajudem-me a ajudar a minha filha, pois estou a ficar sem ajudas para voltar a CUBA e retomar os tratamentos.


NOME : RAFAELA FILIPA CORDEIRO AGUIAR (conta CUBA)
NIB: 0038 0074 01400311771 20
IBAN: PT50 0038 0074 01400311771 20
BIC: BNIFPTPL

Estou ao dispor para qualquer esclarecimento: 912433738

(TÂNIA CORDEIRO)

Por favor qualquer ajuda será excelente para a minha Princesa poder evoluir.

Muito Obrigada

Cumprimentos

Tânia Cordeiro

Dep. Técnico de Qualidade_ Laboratório
Sinflex - Ind. Molas Técnicas, Lda
Telf. 256 880 370
Fax 256 880 379
E-mail: tania.cordeiro@sinflex.pt



Saturday, March 31, 2007

Orçamentos dos Gabinetes dos actuais Governantes


Caros leitores, segundo o Jornal O Público " O Tribunal de Contas, arrasa contas dos últimos três Governos. Falta de transparência nos processos de admissão, total discricionaridade na tabela salarial e mesmo situações ilegais.

Tomando apenas em consideração os 184 gabinetes estudados e validados (de um total de 205, para o período), as despesas de funcionamento foram de 151,5 milhões de euros. O Governo de Sócrates é o que sai melhor do retrato, apresentando cerca de 36,5 milhões de euros de despesas com pessoal, bens e serviços, contra 36,7 do Governo de Santana Lopes, e 77 milhões de euros do executivo de Durão Barroso. Mesmo tendo em conta que o período analisado em que Barroso foi primeiro-ministro é cerca do dobro do dos seus sucessores, o estudo indica uma contracção da despesa em 2005.

Por outro lado, no entanto, o relatório indicia que o Governo de José Sócrates terá sido aquele que mais admissões permitiu e que mais recorreu a formas pouco transparentes no processo de recrutamento. Numa amostra de 30 gabinetes analisados com mais pormenor, verificaram-se 484 admissões, sendo que, de entre estas, 74 foram de especialistas. "

E assim se desbaratam os dinheiros públicos, assim se pede ao povo para apertar o cinto, tenta-se reduzir o défice à custa de sobrecarga de impostos e expoliam-se os que já pouco lhes resta, ou seja os reformados. Estes senhores que nos têm governado, não têm mesmo um pingo de vergonha na cara. Veja-se quanto gasta cada gabinete ministerial, para vergonha dos portugueses, se atentarmos nas rubricas, são de fazer corar. O despudor e a falta de seriedade e compromisso com o povo que os elegeu, estão bem patentes.
O Ministro dos assuntos Parlamentares, Prof. Dr. Augusto Santos Silva é de todos o mais económico, com um orçamento que me parece honesto e adequado, daí o destaque aqui no nosso blogue. Deixarei todos os outros à consideração e análise dos leitores.

Obs: Clique nas imagens, para ver em tamanho maior








Saturday, March 10, 2007

Artigos Selecionados - ‘Os grandes portugueses’

Publicado no «PRAVDA.Ru»

“Custa a crer que alguém, em seu perfeito juízo, se lembre de perguntar se Aristides de Sousa Mendes foi pior ou melhor que D. João II e proponha decidir o dilema por meio do sufrágio popular. Mas a Direcção de Programas da RTP considerou genial a ideia de pôr à votação a preferência do público por uma de dez grandes figuras da História nacional. Como em todos os concursos e competições, teria as audiências garantidas. Responderia de forma espectacular à persistente acusação de a RTP, enquanto serviço público, fazer muito menos do que deve pela cultura intelectual e artística do povo português e teria a vantagem de estimular louváveis sentimentos patrióticos. Por isso, a Direcção de Programas escolheu, para abrilhantar o concurso, figuras mediáticas capazes de atrair mais público e criou programas para recriar ambientes históricos e reconstituir dramas e batalhas.

Mas teve medo de exigir demasiado dos telespectadores. Para compensar o esforço intelectual que lhes pedia, condimentou a disputa espalhando algum cheiro a sangue. Com ajuda dos comentadores de serviço, difundiu o boato de que o vencedor seria Salazar e que, nas finais, ele se defrontaria com o seu grande adversário, Álvaro Cunhal. O programa atrairia assim o máximo das audiências. Chamaria a atenção não só dos consumidores de toda a espécie de concursos mas também do público sensível à excitação das votações partidárias. Partindo do princípio de que, quanto mais rasteiro fosse o nível dos programas, maiores seriam as audiências, tratou de simplificar o quadro histórico e de diluir o rigor das referências. Assim, por exemplo, por meio de uma sensacional aproximação, tentou demonstrar que a maior glória de Afonso Henriques foi ter fundado um país que até tinha conseguido chegar às finais do Euro-2004. As batalhas que o nosso primeiro rei venceu, com armaduras do século XV, prefiguravam as vitórias portuguesas nos campeonatos internacionais, e até o milagre de Ourique anunciava tão ‘impossível’ sucesso.

Estas subtis comparações fariam o público compreender intuitivamente o segredo da alma nacional e confirmar os seus sentimentos patrióticos. Os saudosistas do antigo regime seriam facilmente atraídos ressuscitando o primarismo apologético de um documentário dedicado a Salazar que mais parecia editado pelos serviços de propaganda do Estado Novo. Mas era imperioso evitar a contaminação das abstracções intelectuais. Impedir os académicos de colocar questões metafísicas e de suscitar debates de ideias. Excluir problemas confusos e distinções subtis. Também não era preciso recorrer a profissionais de um jornalismo de conteúdos nem a verdadeiros criadores artísticos, como, por exemplo, da área do teatro. Mais valia renunciar a reflectir sobre o que é a nação e o que representam os grandes nomes da sua História. Bastava consultar os técnicos das audiências. Com toda a razão. São eles que, com as suas sentenças, nem sempre muito consistentes, escolhem (ou julgam escolher) os grandes portugueses de hoje. Veremos se o futuro lhes dará razão.

Entretanto, como profissionais da investigação e do ensino da História, não podemos deixar de lamentar a desinformação e a manipulação que está em curso. A História de Portugal, nas suas complexidades e contradições, nas suas grandezas e misérias, seguramente merecia outra coisa.”

José Mattoso, prof. cat., FCSH/UNL; Fernando Rosas, prof. cat., FCSH/UNL; Luís Reis Torgal, prof. cat., FL/UC; António Reis, prof. aux., FCSH/UNL; Cláudio Torres, arqueólogo; Mirian Halpern Pereira, prof. cat., Dep. História ISCTE; António Manuel Hespanha, prof. cat., FD/UNL; Romero Magalhães, prof. cat., FL Universidade de Coimbra; Eduardo Cintra Torres, mestre em comunicação; Abdoolkarim Vakil, lecturer in Contemporary Portuguese History, King’s College, Londres, e mais 81 investigadores e historiadores universitários.

[Expresso ( excerto ), 03-03-2007] Versão integral do abaixo assinado, divulgado no jornal Expresso

Apoio e subscrevo inteiramente este abaixo-assinado sem restrições. De facto, lamento que o Serviço Público de Televisão - RTP entre no campo da desinformação e da manipulação da História. Aconselho-vos, ainda, a leitura de um magnífico artigo da Citizen Mary - Tempos interessantes… ( Porque História não é uma corrida. Não é um jogo….)

Tuesday, February 20, 2007

A Vida é Bela

Todos os homens podem e devem dizer que a vida é bela
E procurarmos viver de acordo com ela
Os sofrimentos sempre fizeram parte do nosso viver
O importante é enfrentarmos os mesmos sem maldizer

Antigamente idosos e enfermos eram um tesouro
Atualmente estes seres são tratados com desaforo
A eutanásia só aguarda aprovação
Pra facilitar antecipar a morte do cidadão

Basta a pessoa tornar improdutiva
Pra família tratá-la como barco a deriva
Outros seres são inibidos de nascer
Cometem aborto cruelmente sem se arrepender,

Muitos não sabem que viver é um privilégio
Tratam seus entes queridos com sacrilégio
Desrespeita a mãe que o gerou
E o velho pai que para criá-lo muito lutou

Deixam os idosos e doentes à mercê da sorte
Outros são jogados nos asilos até chegar a morte
Mas nem por isso deixemos de dizer que a vida é bela
A ordem é lutar com todas as forças contra as mazelas

Trabalhar e cantar dizendo sempre a vida é bela...
Se estiver escuro abra a porta e a janela
Deixe entrar luz e ar fresco porque a vida é bela
Viva em liberdade como as cervas e gazelas

Veja em que momento da vida você cansou
O que estás fazendo se ainda não recomeçou?
Cante comigo e diga com Deus avante eu vou
Neste barco da vida Cristo é meu condutor

Cante comigo em várias línguas "a vida é bela"
Cante em Italiano La Vita é bella
Cante em espanhol La vida es bella
Cante em francês La vie est belle

Você poderá dizer este pobre escritor agora exibiu
Quer fazer nos cantar numa língua que ele não viu
Não, estas poucas palavras você já traduziu,
E já descobriu que a vida é bela dentro e fora do Brasil


Anápolis Go, 23/05/04

Valeriano Luiz da Silva
Publicação:
www.paralerepensar.com.br 19/07/2005




Dinamização e divulgação do Voz do Povo

Meus amigos, leitores e participantes não se esqueçam das votações em que a " Voz do Povo " participa, é muito importante para a divulgação do nosso blogue. Se acharem que o voto é merecido, não se esqueçam de votar. Estamos inscritos no Blogstars desde 17 de Fevereiro 2007 e levamos mais de 400 pontos na página mãe. Vote também nas Temáticas A Voz do Povo. É só clicar no selo que está aqui no post e abre o site onde poderá votar!
O mesmo selo e outros encontra-os na lateral esquerda do blogue, na área de links!






Obrigado a todos que têm colaborado para que este blogue sejá já uma forte presença na blogosfera.

Um grande abraço

Saturday, February 10, 2007

GUINÉ-CONACRY: A QUESTÃO DA DESINFORMAÇÃO

Por: Fernando Casimiro (Didinho)
didinho@sapo.pt
10.02.2007
As manifestações e as mortes voltaram à ordem do dia na Guiné-Conacry.
Na verdade, o processo reivindicativo estava apenas suspenso por forma a dar oportunidade ao general ditador Lansana Conté de responder às propostas apresentadas pelos sindicatos e acordadas a 27 de Janeiro último.
Se a questão da Guiné-Conacry é um assunto que deve ser resolvido pelos irmãos de Conacry, não deixa de ser verdade que a Guiné-Bissau assume protagonismos nesta matéria com a alegada participação das suas forças militares a mando do general ditador Nino Vieira ao pedido formulado pelo seu vizinho, sócio e amigo de Conacry, Lansana Conté.
Um envolvimento negado, como era esperado, mas largamente noticiado e sustentado por órgãos de comunicação social um pouco por todo o mundo.
O povo da Guiné-Conacry não gostou de saber que da Guiné-Bissau tinham sido enviadas tropas em apoio do seu aflito presidente, chegando essas tropas a matar manifestantes em revolta.
Desta constatação têm surgido apelos à resistência, à luta contra os mercenários, sendo que se tem conotado o próprio presidente Lansana Conté como oriundo e defensor de interesses da Guiné-Bissau, o que não corresponde minimamente à verdade.
É precisamente para esta questão da desinformação que faço esta reflexão no sentido de alertar os irmãos de Conacry para a injustiça e incoerência na atribuição de um juízo de valor convidativo ao virar de costas entre 2 povos irmãos e mártires da ditadura consequente das governações de cada um dos nossos países.
Compreende-se a indignação do povo da Guiné-Conacry que no entanto deveria lembrar-se da mesma situação aquando da guerra de 98/99 na Guiné-Bissau em que Nino Vieira chamou igualmente tropas da Guiné-Conacry e do Senegal para massacrarem filhos da Guiné-Bissau na sua própria terra.
O povo da Guiné-Bissau soube tirar as devidas ilações dessa intervenção militar da Guiné-Conacry, não tendo nunca, confundido a colaboração entre ditadores com o relacionamento entre os irmãos de Bissau e Conacry.
O povo da Guiné-Bissau nunca foi hostil para com o povo da Guiné-Conacry em consequência dessa intervenção.
Hoje não é isso que está a acontecer se tivermos em conta algumas declarações que têm sido emitidas pelas comunidades da Guiné-Conacry na diáspora que se esquecem ou desconhecem a realidade de um passado recente idêntico aos dias de hoje.
Responsabilizar e condenar Nino Vieira é aceitável bem como denunciar, de forma fundamentada, o envolvimento militar da Guiné-Bissau nas operações de apoio ao presidente Lansana Conté.
O que não se deve confundir é o posicionamento de Nino Vieira face à crise na Guiné-Conacry que é uma posição pessoal e não uma manifestação declarada da República e, por conseguinte, do povo da Guiné-Bissau.
Entre os povos irmãos de Bissau e Conacry numa referência global destas duas "Guinés" deve existir uma corrente de solidariedade no sentido do derrube das ditaduras vigentes em ambos os países e nunca a tendência inflamatória de expandir os pressupostos reivindicativos para além do aceitável e que neste caso seria o voltar de costas entre os nossos povos irmãos, o que poderia ter consequências imprevisíveis para a região.

Residência do Presidente bissauguineense demolida em Conakry
Conakry, Guiné (PANA) - Uma linda casa, presumivelmente pertencente ao chefe do Estado bissauguineense, João Bernado Vieira, em Taouya, no alto subúrbio de Conakry, a capital guineense, foi devastada sábado por manifestantes furiosos, como forma de se insurgir contra a nomeação de Eugène Camara para o cargo de primeiro-ministro, chefe do governo guinense, soube a PANA junto de testemunhas oculares.A casa de Vieira, situada no concelho de Ratoma, à beira-mar, suscitava muita curiosidade, de acordo com as testemunhas que não explicaram a relação entre esta casa e os actuais acontecimentos na Guiné Conakry.Além disto, prosseguiram, dezenas de jovens igualmente furiosos destruiram a sede do Partido da Unidade e Progresso (PUP, no poder) em Kankan, a cerca de 600 quilómetros da capital, tendo também incendiado a prefeitura, devastado a cadeia e queimado vivo um soldado.Outros manifestantes superexcitados demoliram, um pouco mais cedo em N'Zérékoré, a 900 quilómetros no sul do país, a residência privada de Eugène Camara, menos de 24 horas depois da sua nomeação para o cargo de primeiro- ministro pelo Presidente Conté.Os revoltosos pilharam igualmente um supermercado e uma loja de electrodomésticos pertencente a empresários libaneses na Mineira, subúrbio de Conakry, onde os bairros de Matoto, Taouya, Hamdallaye estão a ferver.Os manifestantes reclamam doravante pela partida do Presidente Conté, no poder há 23 anos, estimando que ele violou os termos do acordo global, assinou a 27 de Janeiro último no final de 18 dias de greve geral entre o governo e a Inter-Central Sindical.Nos termos deste acordo, o chefe do Estado devia nomear um primeiro- ministro, chefe de governo, "de largo consenso, íntegro e competente" e que nunca gerisse os Assuntos públicos no país.
Fonte: PanapressConakry - 10/02/2007

Saturday, January 27, 2007

JESUS CRISTO E ZEFIRELLI

Terão perguntado a Zefirelli onde foi ele buscar o segredo do seu jeito de falar da vida, em filmes mais ou menos notáveis. À laia de resposta, ele contava que foi assim (mais ou menos, é claro – mas nestes tempos de «ditadura da Estatística», é como se fosse exactamente assim): Zefirelli era mais um filho que só vinha atrapalhar a vida na família, ao que parece numerosa e sem condições adequadas. Nada mais natural que se aplicasse o grau máximo de correcção para um falhado planeamento familiar. Toda a gente estaria de acordo, especialmente o pai. Mas a mãe de Zefirelli apostou nos riscos de mais uma aventura, e aí começaram muitas produções cinematográficas de qualidade.
Moral da história: a vida – e especialmente a vida humana – é uma energia que nos ultrapassa, mas que nós, com todas as potencialidades de que dispomos e que vamos aperfeiçoando, temos a obrigação de gerir «da melhor maneira», isto é: de acordo com o objectivo de «qualidade de vida» mas para todos os seres humanos e não só para as «raças puras». Se eliminamos um projecto de vida, e mesmo se eliminamos uma vida já «a funcionar» com ou sem projecto, cumpre-nos, exercendo o ideal de «qualidade de vida» para nós adultos, aproveitar a ocasião para alimentar uma posição cada vez mais esclarecida e eficiente contra o que cheira a morte e a favor da nossa vontade de merecermos – e de melhorar – a vida que temos. Se eu saio de um ambiente miserável para me realizar num ambiente propício, só viverei de acordo com a dignidade humana se não esquecer o que há de morte a combater e o que há de vida a aproveitar com todas as forças. Se a nossa razão – melhor: se o nosso acto de raciocínio livre de pressões externas – nos leva a pensar como mais plausível uma estratégia apenas de «menos morte», terá que ser em nome da VIDA PARA TODA A HUMANIDADE e não por egoísmo. Só assim seremos superiores aos outros animais. A pressão do pai de Zefirelli sobre a mãe é um caso demasiado comum: os machos olham para as fêmeas como sendo eles os animais dominadores – não provam o agridoce da vida. Esta atitude de machos dominadores encontra-se frequentemente em grupos políticos, religiosos, «intelectuais»… sempre bem atentos aos interesses economicistas e nomeadamente de poder.
E Jesus Cristo? S. José não foi «machista» como o pai de Zefirelli: mas não podia estar mais em desacordo com aquele filho totalmente fora dos programas. Acusaremos de machista o «arcanjo Gabriel» – que apresentou a gravidez de Maria como facto consumado, sem volta a dar? De modo algum: o «arcanjo» apenas foi «enviado» pelo «Poder máximo». Mas Gabriel bem que simboliza a linguagem daqueles que se acham detentores de uma verdade vinculativa como grilhões: tens que fazer isto ou aquilo, porque é vontade de Deus (ou do Governo, ou do Bispo, ou do Premio Nobel, ou do «Homem das massas»…) Talvez que, já nessa altura, «contra tudo e contra todos», Jesus nasceu e mereceu, mais tarde, ser reconhecido como o Cristo. A trapalhada era tão grande que Maria e José precisaram da ajuda de um arcanjo…
Moral da história: «A Vida chama-nos desde o ventre materno» («Vida» é o nome laico de «Deus»). Precisamos cada vez mais de «arcanjos» (leia-se «boas ideias») que nos ajudem a desenvolver sempre mais as nossas técnicas para «menos morte» e «mais vida» (implica «melhor vida»). O progresso do nosso saber teórico e prático torna-nos mais responsáveis pela procura incansável de ambientes humanos onde o «chamamento da vida» é escutado com alegria e discernimento, sem nos vendermos a projectos alienantes, venham eles de arcanjos ou arcanjas (pela doçura da voz).
A grande energia da natureza humana é a capacidade e tropismo para a mudança. Sem mudança, a nossa vida seria a mais monótona, inútil e mortífera produção em série. É claro que há mudanças para bem e para mal, bons e maus profetas, bons e maus políticos, bons e maus homens de negócios. Mas impedir a mudança é matar a própria sede de mais e melhor vida. E o valor de uma pessoa também se revela pela capacidade de querer e aceitar a mudança, implicando mudanças dolorosas no modo de pensar e agir. Traçar limites à razão e curiosidade humanas é pois o mais «grave pecado contra a natureza» – e o poder das organizações religiosas não tem uma lista mais negra do que o poder de governos e de «patrões» em geral.
«Pecado grave contra a natureza» é pois combater os projectos de planeamento familiar e de fruição do prazer sexual, libertos da angústia de despoletar um filho não oportuno; é combater a evolução de técnicas anti-conceptivas e de apoio à vida que já temos em mão. Como também é contra a natureza não querer pensar e preferir «descansar» protegidos pelas «decisões» nada angélicas dos «arcanjos no poder» – políticos, religiosos, intelectuais…
Será possível encomendar um exército de super-arcanjos dos que trazem bons ares às nossas orelhas?
Fui criticado por não ter manifestado a minha posição no referendo, uma vez que escrevo muitos artigos de opinião. Aceito a sugestão de mudança à minha vontade de guardar silêncio. Eu vou votar «não»: mas é sobretudo um «não» ao referendo: a «mudança» proposta é um fogo fátuo, nascido (quando este é que devia ser abortado) de jogadas políticas, preconceitos culturais, radicalismo religioso, ingenuidade, anti-clericalismo primário, informação falsa (muito pior que a do arcanjo Gabriel), demagogias, fanatismos de toda a espécie, desforras sentimentais e ideológicas, egoísmo… meu Deus, vai mesmo uma grande trapalhada! O espectáculo é mais triste com a escandalosa falta de cultura e educação da parte de alguns políticos, padres e até Bispos.
A mudança proposta neste referendo é demasiado a proposta de preguiçosos e hipócritas, como os que, antes do 25 de Abril, «eliminaram a PIDE», chamando-lhe «DGS». Como eles, não desejam uma efectiva mudança de atitudes para combater as condições de vida desumanas, limitando-se a «manifestar compaixão» com mudar os termos legais. Prefere-se adormecer na ideia confortável de que se é bom, apenas porque não parecemos maus… Quantos vão ao encontro dos homens e mulheres que sofrem – alguns para provocar aborto (com razões ou não) e muitíssimos mais para não provocar aborto? Será aceitável só olhar numa direcção para ganhar dividendos de poder (pelo «sim» e pelo «não»)?
A mudança de nível humano não é corajosamente encarada pelos poderes políticos, religiosos e financeiros. No primeiro referendo sobre o aborto, os que se alardeavam de só eles defenderem a vida, exultaram com a vitória tangencial do «não», mas adormeceram e só agora publicam obras de reflexão tendencialmente séria (nessa altura, chamei à atenção um dos responsáveis a nível nacional). Continuamos a esconder o grande projecto que nos incomoda: O PROJECTO DA EDUCAÇÃO, que nos habilite para pensar, agir e trabalhar EM LIBERDADE. É um projecto de todos e não só das «pessoas importantes». Já Platão se queixava de que os nossos governantes deviam ser escolhidos entre as pessoas bem educadas…
Pelo seguro, e para não me parecer com o fariseu que desprezava o publicano, já encomendei um «super-arcanjo» para mim. Para me ensinar como se pode defender a vida, apesar de tudo. Mas só o consigo escutar num ambiente produtivamente calmo, um ambiente de restauração da liberdade.

Manuel Alte da Veiga
m.alteveiga@netcabo.pt